Lançado em setembro de 2021 pela desenvolvedora independente Ember Lab, Kena: Bridge of Spirits surpreendeu o público com sua estética encantadora, jogabilidade sólida e narrativa emocional. Disponível para PlayStation 4, PlayStation 5,  PC e Xbox Series|X, o jogo mistura ação, aventura, plataforma e elementos espirituais em um mundo mágico, repleto de paisagens exuberantes e personagens carismáticos.

Apesar de ser o primeiro título do estúdio — originalmente uma produtora de animações — Kena impressiona com sua qualidade visual e polimento técnico, oferecendo uma experiência que lembra clássicos da era do PS2 e PS3, com um toque moderno.


Uma Guardiã Entre Dois Mundos

No papel de Kena, o jogador assume a função de uma jovem guardiã espiritual encarregada de ajudar almas perdidas a encontrar paz após a morte. Ela viaja até uma vila abandonada em busca do Santuário da Montanha Sagrada, mas logo descobre que a terra está corrompida por energias negativas, e cabe a ela restaurar o equilíbrio.

Durante sua jornada, Kena conhece os Rot — pequenas criaturas espirituais fofas e travessas que a ajudam em combate, na exploração e na resolução de puzzles. A narrativa é dividida em capítulos que contam a história de diferentes personagens falecidos e os traumas que os impedem de seguir adiante. O foco está em temas como luto, desapego e cura emocional, tratados com sensibilidade e profundidade.

Embora a história seja simples em estrutura, ela é rica em simbolismo e emoção, contando com momentos tocantes que se conectam bem ao universo místico e espiritual que o jogo propõe.


Combate, Exploração e Espírito

Kena: Bridge of Spirits oferece uma jogabilidade que combina exploração, combate e resolução de quebra-cabeças, com uma progressão linear, mas com áreas semiabertas que incentivam o retorno para coleta de itens e segredos.

O combate é em tempo real e lembra jogos como Zelda ou Horizon Zero Dawn, com uso de ataques leves e pesados, esquiva, parry e habilidades mágicas. Kena também utiliza seu cajado como arco, criando mecânicas variadas para atacar inimigos à distância.

Conforme os Rot são encontrados e recrutados — é possível encontrar até 100 ao longo da campanha — eles desbloqueiam novas habilidades e são usados tanto em lutas quanto na manipulação do ambiente. Por exemplo, eles podem mover objetos pesados, purificar áreas corrompidas ou distrair inimigos.

A variedade de inimigos exige estratégias diferentes, e os chefes são um dos pontos altos do jogo: desafiadores, criativos e com mecânicas únicas. Há quatro níveis de dificuldade, incluindo o modo “Espírito Guia” (difícil), que realmente testa os reflexos do jogador.


Progressão e Personalização

A progressão é baseada em pontos de karma, que o jogador ganha ao completar missões secundárias, resolver puzzles ou interagir com o mundo. Esses pontos são usados para desbloquear novas habilidades de combate, como ataques carregados, melhorias para o arco ou poderes especiais com os Rot.

Além disso, é possível personalizar visualmente os Rot com chapéus colecionáveis, uma adição puramente estética, mas extremamente carismática.

O jogo é relativamente curto — cerca de 10 a 12 horas para a campanha principal — mas oferece conteúdo adicional para quem gosta de coletar todos os itens e completar desafios opcionais.


Visual e Estilo Artístico Deslumbrantes

Um dos grandes destaques de Kena é seu visual cinematográfico. O jogo parece um filme da Pixar ou da DreamWorks em tempo real. Cada cenário é ricamente detalhado, com florestas vibrantes, ruínas místicas e vilas encantadas. A direção de arte capricha nos efeitos de luz, partículas e na ambientação geral.

As animações dos personagens são suaves e expressivas, com destaque para as cutscenes, que utilizam gráficos de altíssimo nível e contribuem muito para o envolvimento emocional do jogador.

Mesmo nos consoles da geração passada, o jogo apresenta ótima performance. No PS5, o carregamento é praticamente instantâneo, e há suporte para o controle DualSense com feedback tátil e gatilhos adaptativos.


Trilha Sonora e Áudio

A trilha sonora de Kena: Bridge of Spirits é composta por Jason Gallaty, com inspiração em instrumentos tradicionais do sudeste asiático e africano. A música é imersiva, melódica e combina perfeitamente com o tom espiritual e emotivo da jornada.

Os sons ambientais, como o vento nas folhas, água corrente e cantos dos Rot, contribuem para a imersão. O jogo possui dublagem em português do Brasil, com excelente qualidade de atuação e localização.


Pontos Positivos


Pontos Negativos


Uma Pérola Independente

Kena: Bridge of Spirits é uma joia rara entre os jogos independentes. Com uma apresentação audiovisual digna de grandes estúdios, ele entrega uma experiência envolvente, bela e emocional. Ideal para jogadores que apreciam aventuras narrativas com combate estratégico e mundos mágicos.

Embora não revolucione o gênero, Kena conquista pelo coração. É uma jornada de cura, empatia e equilíbrio espiritual, contada com sensibilidade e esmero técnico.